As autoridades falam em atender as necessidades do nosso planeta, em relação as catástrofes físicas e climáticas que estão ocorrendo recentemente, matando milhares de pessoas anualmente. Buscamos de todas as maneiras sanar este problema organizando eventos de alto orçamento, com autoridades mundiais - ministros, diplomatas, presidentes - e especialistas de todos os tipos, cada um com teorias proporcionais e desproporcionais para justificar as catásrofes naturais e as condições inesperadas do tempo que atingem o nosso planeta. Esquecemos, dessa forma, que existem outras necessidades a serem trabalhadas e, que apesar de não serem devastadoras, falo em relação ao cenário físico do nosso planeta, são nefastas em relação as mortes que proporcionam e a disseminação das doenças que causam. Falamos dos vírus, das bactérias, falamos das patogênias que passam despercebidas aos olhares humanos. olhares críticos, olhares científicos e olhares de consideração são o que faltam para extinguir esses problemas tão básicos, e alguns de tão fácil prevenção. A médica Zilda Arns, morta em um desastre natural, era coordenadora da pastoral da criança e divulgava Brasil afora meios simples e baratos de prevenir doenças como a diarréia, a desnutrição e a desidratação, causadoras de muitas mortes em crianças pobres. Ensinamentos básicos como ferver a água, como fabricar o soro caseiro e a utilização da homeopatia salvaram muitas vidas nas comunidades em que a pastoral da criança visitava.
Mas qual o motivo de trazer essa comparação a tona. Torna-se necessário desmistificar governos, fundos humanitários de ajuda e principalmente as politicas da ONU. Não seria muito mais lucrativo, para grandes indústrias do desastre e da doença, barganhar a salvação no meio de um desatre ou pagar pela cura com um remédio milagroso, ou por uma instituição médica que proporcione status 5 estrelas em categoria de saúde?
É verdade, isso realmente acontece... Descreve fabulosamente Naomi Klein a sua jornada no processo de reconstrução da cidade de New Orleans pós o desastre do Katrina, analisa as políticas, ou a falta destas, para sanar problemas como abrigar a população, retirar os corpos e escombros da cidade, distribuição de alimento e água, tudo, tudinho, feito por corporações que recebiam por alugueis, deste as máquinas, até a cova comunitária para abrigar os corpos valores exorbitantes do governo dos E.U.A. Alias, vale resaltar, que antes do furacão, o governo Bush sequer analisou ou possibilitou verba para os planos de evacuação e emergência caso um evento inesperado desse ocorresse, e como ocorreu,ralata Klein, pagava 12.000 por corpo retirado e enterrado para uma companhia de cadaveres fazer um enterro miserável e ainda deixar corpos em decomposição meses e meses debaixo de escombros.
A lógica do desastre foi essa, e continuará sendo, permitir a eliminação das classes baixas e impossibilitadas de se proteger e pagar proteção, eliminar a raça negra com a omissão de socorro e finalmente, após o trágico episódio, permitir uma reconstrução a preços exorbitantes, para enriquecer empresas que mais tarde patrocinarão os objetivos mais escusos dos governos, como guerras e projetos nucleares, ou a ida a Marte; essa reconstrução se dará para aqueles que puderem pagá-la, ou então, os que não puderem, receberão suas casas, suas avenidas, seus hospitais, mais precários do que eram antes, para novamente permitir o ciclo vicioso que o capitalismo de controle exerce sobre nós, os que colocam no cargo tais governantes, em tese, claro.
